Órgãos de Controle de Tráfego Aéreo – Controle de Aproximação (APP)

Dando continuidade à série de posts que explica cada órgão de controle, começamos agora com o Controle de Aproximação.

Pela foto, já deu para perceber uma grande diferença entre a Torre de Controle e o Controle de Aproximação. Ao contrário da Torre, o APP não tem a necessidade de ter a visão do aeroporto, ou das aeronaves. No Brasil, em quase que sua totalidade, os controles de aproximação radar são feitos pela Força Aérea brasileira (apenas Macaé que é feito pela Infraero).

Teoricamente, e de forma genérica, o Controle de Aproximação é responsável pelo controle das aeronaves que evoluam desde o momento após a decolagem, até 80km afastado do aeroporto, ou até a aeronave cruzar 14500ft de altitude. Quando aí, serão transferidas para o Centro de Controle. Este será discutido no próximo post.

Na foto acima você tem a configuração de um controlade radar. A esquerda fica o controlador propriamente dito. E do seu lado direito, o auxiliar do controlador. O auxiliar conta com uma repetidora radar (monitor da extrema direita) e um monitor (do centro) com ramais e números VOIP para realizar a coordenação com os outros órgãos de controle.

Ok, mas porque você falou “controlador radar”? Existe algum outro tipo de controlador? Sim, existe. Existe o controlador normal, ou convencional, ou não-radar. E como é feito o controle das aeronaves se a pessoa não tem radar?

Na foto acima você pode notar que diferentemente do controlador radar, o Controle de Aproximação convencional não conta com nenhum auxílio para identificar as posições das aeronaves (na foto, o APP é a posição da extrema direita, essa da foto, é a Torre Palmas). Ok, mas como ele sabe aonde a aeronave se encontra? Realmente, é uma dúvida interessante, mas vamos explicar os dois conceitos, primeiro o radar e depois o convencional, e você vai entender que nem tudo é como parecer ser. Obs.: Já ouvi por aí que o controlador convencional precisa estar no mesmo ambiente da Torre de Controle (é o caso da foto, a Torre de Controle, é a pessoa da extrema esquerda).

Na foto acima, você está vendo como é a visualização do radar. Cada “coisinha” laranja no mapa é uma aeronave com a indicação de velocidade, altitude, e matrícula. Se você clicar aqui, verá uma carta chamada ARC, nesta carta, você pode notar um desenho igual ao que tem no radar. Então, é assim, você tem a carta digitalizada, pegue os alvos “capturados” pelo radar, some-os e aí você estará pronto para usar esta ferramenta para o controle de tráfego aéreo.

Ok, até aí tudo bem, mas e o controle convencional, como é feito?

Acima, você tem a ARC de goiânia. No real, lá é controle radar, mas digamos que não fosse. Clique na imagem para ampliar, irá facilitar. Agora, você precisará de uma coisa que o controlador convencional deve ter, a imaginação espacial. Digamos que você esteja controlando o TAM3434 e o GLO1919. O negócio funciona mais ou menos assim. O Gol decolou de goiânia e está indo para São Paulo, já o TAM está vindo de cuiabá. O gol falou para você que estava passando a posição GAZAR (circulada de vermelho), e no mesmo momento o TAM falou que estava passando a posição ILTAS (circulada de vermelho).

Oras, o TAM vai pousar em Goiânia, e o Gol decolou de goiânia e está se afastando, corre algum risco de colisão entre eles? Não! Basicamente, é feito assim o controle convencional. O negócio começa a complicar, quando duas aeronaves estão indo para o mesmo lugar, ou quando uma está decolando para o lugar de onde a outra está vindo, aí sim está uma situação que é exigido um controle correto e baseado nas normas.

Então resumindo. O controlador radar tem ali na frente dele o que o controlador convencional precisa ter na imaginação.

Ah, por ser radar, e o controlador ter a visão da situação, ele adquire alguns deveres que o controlador convencional não tem. Exemplo: você deu uma instrução para que uma aeronave descesse para 2000ft. No controle convencional, você não sabe se ela realmente está descendo, ou se ela desceu, mas se a aeronave reportar nivelada em 2000ft, então, ela está lá. Já no controle radar, você tem que estar vigilante para ver se a aeronave realmente vai descer, ou se pior, se ela não desceu mais do que 2000ft.

Enfim, por muitos controladores, o Controle de Aproximação é a parte mais emocionante do Controle de Tráfego Aéreo. Mas claro, cada órgão tem sua graça, e seus objetivos, e um não seria nada sem o outro.

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por Juvenal Júnior Publicado em Diversos

11 comentários a “Órgãos de Controle de Tráfego Aéreo – Controle de Aproximação (APP)

  1. Apenas para complementar a explicação da Aline quero dizer que só existem duas condições de operação do aeródromo: IFR ou VFR. Farol rotativo ligado durante o dia significa que o aeródromo está operando em condições IFR (instrumento). Caso a visibilidade esteja superior a 3000 metros inclusive e o teto superior a 1000 pés (300m), com a devida autorização do Controle de Aproximação, poderá ser autorizado um voo visual especial. Mas lembrando sempre que a operação do aeródromo será Instrumento.
    Sou instrutor no curso de controle de tráfego aéreo na EEAR.

  2. Sou militar da Aeronáutica e desenvolvi um software para ser utilizado em um APP convencional.

  3. Juvenal Junior,
    sua resposta sobre o farol nao foi de todo correta.
    Segundo a ICA 100-12 que rege a nossa profissao, o farol deve estar ligado durante todo o periodo da noite ( compreende-se entre o pôr e o nascer do sol, independente das condiçoes visuais; no periodo do dia, ligar-se-á se as operações forem instrumentos ou VFR especIAL.
    sou controladora de torre em foz do iguaçu.

  4. achei teu blog no google e gostei bastante! parabens pelos posts e vou me tornar um visitante periodico!! me interesso muito por aviacao e inclusive vou entrar este ano para o curso de engenharia aeronautica. Grande abraço e ate a proxima.

  5. muito legal…gostei muito…e o meu sonho.
    agora tenho uma duvida… o que significa 2000ft ou 14700ft?
    queria muito saber mais informacoes…obriagdo

  6. Muito obrigado pelos elogios Júnior.

    Quanto o equipamento que você viu, se trata do FAROL DE AERÓDROMO.

    Como o farol marítimo, ele serve para indicar a posição para os tráfegos visuais. Porém, pelo farol você consegue saber a operação do aeródromo, do tipo:

    Durante o dia: Farol ligado – significa que o aeródromo está operando em condições Instrumento
    Farol desligado – significa que o aeródrmo está operando em condições visuais (normalmente)

    Durante a noite: Farol ligado – significa que o aeródromo está operando em condições visuais (normalmente)
    Farol desligado – significa que o aeródromo está operando em condições Instrumento

  7. Mais uma vez parabens pela bela postagem. Como de costume tenho uma dúvida em relação ao aeroporto daqui de Araguaina. É que fui deixar minha prima para embarcar num voo da passaredo e percebi que tem uma torre com duas lanternas que acendem e ficam girando na hora da decolagem da aeronave e queria saber o que poderia ser esse equipamento.

    Abraço!

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